Luciana fez a prova da Anpec em 2015 e iniciou o mestrado em Economia na EESP em 2016.
Fiz graduação em Economia na FEA de 2008-2012, trabalhei em consultoria econômica de 2011 até 2015, e fiz mestrado na EESP de 2016-2018. Já sabia que não queria fazer doutorado (não mudei de opinião após o mestrado),então voltei a trabalhar em consultoria desde que concluí o mestrado.
Como dispunha de muito pouco tempo para estudar, acompanhar um cursinho (fiz o da Fipe, durante a semana) me ajudou a manter o ritmo e focar nos conteúdos na forma como eram exigidos nas provas. Mesmo que nem sempre conseguisse sair do trabalho para as aulas no horário, ter o conteúdo mastigado e compartimentado me ajudou a estudar focando na prova. Investi mais tempo voltando para a teoria apenas em alguns conteúdos que tinha dificuldade e julguei que valia a pena – havia concluído as disciplinas obrigatórias da graduação há 5 anos, quando resolvi começar a estudar pra Anpec.
Mesmo trabalhando, a colocação que consegui na Anpec me tornava elegível pra 3 dentre as top4, e optei pela EESP. Motivaram a minha escolha o fato de poder continuar em SP e ter bolsa durante todo o curso (há centros que só garantem bolsa no 1 ano, a partir de março); disciplinas trimestrais (bimestrais, na prática); o corpo de professores de micro aplicada, que era a área de pesquisa que me interessava; e finalmente o fato de poder fazer o mestrado em outra instituição diferente da graduação.
No geral, minhas expectativas corresponderam. O curso realmente é muito puxado, vale a pena pra quem deseja fazer um bom PhD fora. Para pessoas que não têm um perfil muito acadêmico, pode não fazer tanto sentido. No meu caso, pertencer a este último grupo não foi empecilho para concluir o curso, mas sinto que tive que colocar mais esforço que outros colegas nas disciplinas (vários repetiram obrigatórias, mas todos os que não desistiram e continuaram se formaram – que eu saiba, não houve jubilados desde 2016).
Outro aspecto de ser uma pessoa de desempenho acadêmico mediano num centro muito exigente, é ter de dedicar mais tempo pra estudar, não dando as oportunidades de fazer uma renda extra – como ser monitor, dar aula particular, ser asistente de pesquisa (é a única experiência que importa pra aplicar pro PhD). Vale lembrar que na EESP há matérias obrigatórias ainda no segundo ano, e normalmente se termina os créditos só no 3 trimestre. Ficar alguns meses a mais tendo como atividade principal o mestrado vale a pena pra quem tem interesse em pesquisa, só é um problema se a restrição orçamentária pega muito. Quem tem pressa de voltar pro mercado de trabalho pode considerar outros centros, como FEA-SP e FEA-RP, em que dá pra concluir (quase) tudo no primeiro ano, ficando “só” a dissertação pro segundo.
Outro ponto forte são os centros de pesquisa em micro aplicada (C-Micro, Learn), que têm muitos projetos bacanas e parcerias com BID/Banco Mundial. O contato dos professores é uma boa porta de entrada pra quem tem interesse em trabalhar nessas instituições.
Olhando pra trás, acho que só a questão das disciplinas bimestrais decepcionou um pouco – parece dar mais opções, mas conseguir cursar todas as eletivas que interessam depende muito do momento em que são oferecidas. Além disso, o tempo é curto, então se é apresentado a muitos papers, o que ajuda a conhecer as áreas de pesquisa, mas ao mesmo tempo dá a sensação não ter oportunidade de se aprofundar nos temas e aprender algo concreto – fora muitos trabalhos pra entregar. As disciplinas obrigatórias bimestrais também eram mais cansativas que se fossem semestrais, já que havia provas praticamente a cada 3 semanas.
Depoimento escrito em outubro de 2019.